Itaguaí poderá ter um batalhão da PM

Prefeitura cedeu o terreno em Piranema para que seja feita
a construção que beneficiará também o município de Seropédica.

Está nas mãos do governador Sérgio Cabral a decisão de construir um batalhão da Polícia Militar no município de Itaguaí. A doação do terreno já foi feita pelo prefeito Carlo Busatto Júnior, o Charlinho. O imóvel fica na reta de Piranema, localização que vai favorecer também os moradores de Seropédica, município vizinho. Atualmente a região é policiada pelo 24º BPM (Queimados), distante cerca de 60 quilômetros de Itaguaí, enquanto o outro batalhão, 27º BPM, localizado a ¼ de distância, na Zona Industrial de Santa Cruz, é impedido de cumprir a função.

Itaguaí vive hoje um momento considerado ímpar de crescimento sócioeconômico, como o que aconteceu em anos anteriores em municípios do Norte fluminense, por conta da prospecção de petróleo e gás da Bacia de Campos. O município conta com problemas de infraestrutura, que não são poucos, mas está verificando alguns resultados em determinados setores, como o da Educação. O índice de desenvolvimento educacional tornou-se elevado e as escolas municipais já contam com uma representante em 25º lugar de todo o estado do Rio de Janeiro: a Escola Américo Amorim, em Coroa Grande.

Para a deputada estadual Andreia Busatto (PDT), tudo isso que está por acontecer ou que vem apresentando resultados satisfatórios é fruto de um trabalho metódico e de planejamento,
uma ação independente das questões políticas, como mostra a reportagem exclusiva que ela concedeu ao Jornal ATUAL.

ATUAL – Como a senhora analisa o crescimento da região nos últimos anos?
Andreia Busatto – Na verdade, se pararmos para pensar sobre tudo que aconteceu, com certeza citaremos a implantação das grandes empresas, o Porto de Itaguaí, que deu um grande incentivo para a cidade e o seu desenvolvimento econômico. Estamos falando também da chegada dos portos privados, e isso tudo faz com que tenhamos o grande pólo de crescimento e de desenvolvimento.

O medo que todos tinham era de que, com a chegada das grandes empresas e um contingente enorme de mão de obra, houvesse um processo de favelização em Itaguaí e arredores. Por que isso não aconteceu, como era esperado?
Na verdade, isso nem acontecerá, por que tudo que se faz com planejamento e organização a gente tem como minimizar os efeitos ruins que normalmente vêm a reboque do crescimento. Nós ficamos preocupados e nos organizamos para estarmos recebendo essa demanda, que aconteceu e foi embora em decorrência das obras. Foram poucas aquelas pessoas que ficaram. Temos bem clara essa percepção, que foi medida com a demanda por vagas nas escolas. Chegamos a pensar que haveria uma grande solicitação de vagas, e isso não ocorreu.

O que ficou foi a mão de obra especializada?
É o que está vindo para a cidade, um tipo de trabalhador mais qualificado. Acredito que eles é que irão permanecer e vão trazer o crescimento para o município.

Qual a infraestrutura disponível que a prefeitura montou para atender a essa demanda? Com o pré-sal isso tende a explodir. Itaguaí está preparado para o crescimento que virá a reboque do petróleo da Bacia de Santos?
Não podemos pensar por uma demanda para daqui a dez ou vinte anos, temos que estar preparados agora de uma forma geral. Acho que já conseguimos nos organizar para atender à demanda atual e para a que virá. A gente não pode fazer mais porque serão coisas que terão de ter a participação dos próximos governantes municipais. Estamos fazendo realmente as coisas para que nada fique sem rumo.

A senhora, como deputada, terá participação nesse processo?
Lógico! O que eu puder trazer de recursos e benefícios para poder fazer essa organização acontecer, irei fazer. A cidade cresce muito bem se for planejada e organizada, mas cresce muito mal se faltarem esses atributos.

No meio desse processo nos deparamos com a questão do aterro sanitário de Seropédica. Isso não mancha essa imagem de local em expansão econômica?
Eu sou radicalmente contra o aterro sanitário, mas infelizmente encontrei o processo adiantado quando fui eleita deputada. Seropédica, na época, já tinha dado todas as autorizações para a instalação do lixão através da Câmara Municipal. Estou falando da gestão passada, anterior a do prefeito Martinazzo. O estado autorizou a colocação do lixão ali, viabilizando também as licenças necessárias. Hoje, com relação ao lixão, não temos nada o que fazer. A preocupação que tenho agora, enquanto deputada, é trabalhar junto com os prefeitos Charlinho e Martinazzo para ver que tipo de tecnologia está sendo empregada ali, e tentar implementar um tipo de tecnologia que irá minimizar os problemas ambientais. Acho que todos nós sairemos lucrando, até mesmo com a possibilidade de venda de energia extraída do lixo ali processado.

Pode significar a instalação de uma estação de tratamento de resíduos no local?
Exatamente. Temos que lutar hoje e brigar para que a tecnologia usada por essa empresa que se instalou lá traga benefícios para a população e não danifique o meio ambiente. Lutar para reverter o quadro da instalação do lixão não é mais viável, ele já está funcionando.

Por falar em poluição, outra queixa da população é contra a CSA. Essa carga que o governo estadual está fazendo contra a siderúrgica, proibindo a sua expansão inclusive, não poderia ter sido usada contra o lixão?
Com certeza! Na questão da CSA, a Assembleia Legislativa tem uma comissão própria cuidando do assunto. A poluição provocada pela CSA não está prejudicando só Santa Cruz, mas também Itaguaí, que está ao redor. Na esfera estadual estou tomando conta de perto, impedindo e tentando corrigir os erros.

A empresa teria trazido mais malefício do que benefício?
Acredito que a CSA trouxe um grande avanço. O que temos que corrigir são as formas como as coisas são feitas. O benefício tem que ser muito maior do que o malefício. Essa é a regra. Especialmente em relação à saúde das pessoas. Por que não adianta atrair emprego, trazer desenvolvimento, se as pessoas podem ficar doentes por conta da poluição provocada. É em cima destas questões de saúde e meio ambiente que devemos ficar muito atentos.

O Hospital São Francisco Xavier, bem como os postos de saúde de Itaguaí estão sendo acusados de mau atendimento. O que falta, na verdade? Faltam recursos, por exemplo?
Na verdade, existe um grande problema, não só na cidade de Itaguaí, mas no estado como um todo, que é a falta de médico especialista. Pediatras, por exemplo. Infelizmente, quase não se formam médicos com especialização, e para o que já existe, a oferta de trabalho é muito grande. A criação das unidades de pronto atendimento, de novos hospitais e postos de saúde amplia o espectro de atuação desses profissionais. Por conta disso, nem sempre a gente consegue atrair esse profissional.

Qual o salário de um médico em Itaguaí?
Para o plantão de 24 horas está entre R$ 5 mil e R$ 6 mil. Valor acima do padrão praticado em alguns municípios do estado. Eu não vejo o Hospital Municipal São Francisco Xavier com grandes problemas. Eu vejo este problema em todo o estado, e não só nos hospitais da rede pública. A saúde como um todo está confusa. Está complicado fazer a gestão desses hospitais por falta de material humano. Nós estamos encontrando filas também nos hospitais particulares, que às vezes não estão aceitando nem conveniados de planos de saúde. No Barra D’Or, por exemplo, um hospital de ponta da Barra da Tijuca, a qualquer hora do dia ou da noite você fica de três a quatro horas esperando para ser atendido. Se precisar fazer um exame este demora de um a dois meses para ser realizado. Aqui, nós estamos atendendo com tempo menor que o ofertado na rede privada.

O fechamento do Hospital Pedro II, em Santa Cruz, sobrecarregou o atendimento de saúde em Itaguaí?
Ainda estamos sobrecarregados. O mesmo acontece com o Hospital Rocha Faria, em Campo Grande, que sofre com a alta demanda de pacientes e a ausência de profissionais.

Os prefeitos da Baixada Fluminense, Seropédica incluída, estão falando sobre a criação de um consórcio de saúde para a região. Seria uma boa oportunidade para a população?
É bem viável. Mas só é bom quando todas as partes estiverem funcionando. Quando um deixa de fazer o acordado, enfraquece todo o sistema. Esta é a minha preocupação em relação ao consórcio.

Na questão da segurança, Itaguaí vem sofrendo com registros de ocorrência envolvendo traficantes. Em alguns bairros este índice de criminalidade está aumentando. O que deve ser feito?
Isso é competência do estado. Eu já fiz uma solicitação, inclusive, para que seja construído um batalhão da Polícia Militar no município, na divisa entre Itaguaí e Seropédica. Foi uma das minhas primeiras ações como deputada, pedindo a construção do batalhão na entrada de Piranema, para que pudesse atender às duas cidades, que são as maiores da região. Estamos no meio e com os maiores problemas de uma cidade em crescimento. Já tem até o local, um terreno doado pela Prefeitura de Itaguaí destinado para isso. Já conversei com o governador Sérgio Cabral sobre o assunto, e, através da Alerj, enviei uma indicação pedindo para que a questão do batalhão fosse agilizada.

O que o governador disse sobre o assunto?
Ele ficou até surpreso em saber que já teria uma área e pediu que eu encaminhasse o assunto explicando detalhadamente. Aproveitei para ratificar a vontade dos prefeitos de Itaguaí e Seropédica, de estar incrementando o projeto.

Na educação, quais os projetos para atender à demanda de crescimento. A senhora pode citar alguns?
A minha preocupação era saber quais os bairros com potencial de crescimento. Dentro desses bairros a gente montou uma estrutura, incluindo creche e escolas de horário integral. Itaguaí municipalizou todas as escolas, e não temos mais atendimento do 1º ao 5º ano. É uma lei de 2005, que determinou que a responsabilidade de oferta de vagas no primeiro segmento do ensino ficaria por conta do município. O estado ficaria com o segundo segmento e o ensino médio.

E o aprendizado, em qual patamar do ranking educacional Itaguaí se encontra?
Quando pegamos o município tínhamos 14 escolas que ficaram abaixo do índice de desenvolvimento educacional do estado. E hoje não temos mais nenhuma escola nessa condição. Todas estão acima da média que o Governo Federal estipulou. Uma delas está classificada em 25º lugar no estado do Rio de Janeiro, que é a Escola Municipal Américo Amorim, em Coroa Grande.

3 comentários:

  1. Se está nas mãos de Cabral, sei que ele fará o melhor!

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  2. Candinhafaladeira20 de junho de 2011 17:39

    Caro anônimo, fará o melhor pra quem? para o povo com certeza não é,deve ser para as GRANDES CONSTRUTORAS .A deputada Andrea,já chega dizendo, que neste município tudo é planejado,estudado, executado! Voces estão vendo isto ser feito? è só escândalo, um atrás do outro.Sem infraestrutura,sem educação,sem saúde(nos empurram uma UPA,que não possue médicos, e só te receitam,lasix ou analgégico).Temos o imposto territorial e predial,mais caro do Brasil.Também nos falta estradas,vias de acessos, transporte.E Segurança , mas a segurança é do governo Estadual! é claro que sabemos disso, mais por acaso a Sra. foi eleita deputada MUnicipal ? A sua obrigação é brigar com o governador e seus distintos colegas, por segurança sim para o nosso Município, sendo com policiamento na rua , batalhões próximos nos servindo, construção de um outro batalhão,etc.Porque se não exigirem não viram. A deputada ainda diz que os políticos de Itaguaí, não podem pensar em obras para o município com prazo de até 10 anos.Ora deputada os politicos,admistradores,devem ter visão,e capacidade , para o que vai acorrer no seu município, daqui a pelo menos 30 anos.Não vamos ficar brincando com coisa séria , eta é minha opinião.

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  3. Olá! Independente de quem seja o "pai da criança" ou neste caso a mãe, O batalhão da PM em nossa cidade é necessário, tendo em vista que nossa cidade está cada vez mais violenta, com bandidos migrando de favelas "pacificadas" para nossa cidade. quanto a educação, saúde e obras, estamos andando para frente, basta olhar para nosso passado recente e vamos chegar a conclusão de que hoje está bem melhor! Quanto a infraestrutura, a cidade cresceu e os serviços públicos tem que acompanhar, também já se nota alguma melhora nesse sentido.
    vamos aguardar e torcer para o melhor!

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